Conhecendo o Blog

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O Blog "Traduzindo o Silêncio" é um espaço destinado à discussão da Violência de Gênero. Considerando que, em regra, a mulher tem sido mais suscetível a essa fatia da violência, o blog objetiva criar um espaço para divulgar e mobilizar a reflexão sobre a violência contra as mulheres. Aqui você encontrará indicações de artigos, vídeos, revistas especializadas, ONGS e pesquisas que abordam essa temática tão significativa. Meu objetivo no blog é dar um tratamento adequado à questão da Violência de Gênero, compreendendo por que as mulheres em situação momentânea de violência encontraram no silêncio uma forma de calar suas dores.

Abraços

Ana Sá Peixoto

quinta-feira, 31 de maio de 2012


Imprimir03 Maio 2012 
E-mailPosted in Esportes & Saúde

O Ministério da Saúde quer que os laudos feitos pelo Sistema Único de Saúde em mulheres vítimas de violência sexual possam servir como prova na justiça.  Com isso, as mulheres não precisariam passar por um novo exame no Instituto Médico Legal. A proposta foi feita à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra a Mulher no Senado. O secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Helvécio Magalhães, que participou da audiência pública destaca a preocupação do ministério com a mulher que sofre violência sexual.

"Dentro da rede de atenção a violência contra a mulher com ênfase inclusive em violência sexual, nós pretendemos progressivamente ampliar a rede de cuidados, treinar as equipes em todo o País. Nos casos dos serviços que atendem abortamento legal nós pretendemos aumentar em 50 por cento. Hoje são cerca de 60 passaremos para 90 serviços com equipes treinadas, acolhedoras que tratem adequadamente a mulher que precisa desse procedimento." 

Outro ponto defendido pelo ministério é que as grávidas presas fiquem em prisão domiciliar para acompanhar melhor a gestação. Isso evitaria a construção de lugares especiais no presídios femininos para que elas sejam atendidas. Em todo o País, o SUS possui mais de 550 tipos de atendimento às mulheres que sofrem violência sexual e doméstica, e outros 65 que fazem aborto nos casos permitidos pela lei.




VIVENDO SOB ESCOMBROS

    

Certa vez, conta a História, em 1755 Lisboa sofreu um violento terremoto, dizimando milhares de pessoas e, como medidas de emergência, o Marquês de Pombal, então Ministro de D. José I (Rei de Portugal), determinou severamente:

          "Enterrem os mortos, cuidem dos vivos e fechem os portos"

Duras palavras, porém necessárias...A alma humana também é região propícia para tais abalos e quando eles acontecem, achamos que não os merecemos.


Comparo a violência sexual a um desses abalos de grande magnitude que acometem suas vítimas de "súbito". É muito difícil sobreviver a situações tão inóspitas. Acreditamos, em um primeiro momento, que seja tarefa penosa demais e que não se suportará tamanha dor.


As vítimas de violência sexual, sobretudo quando esse evento acontece no ambiente doméstico e familiar, passam por estágios de negação, revolta, medo, culpa, angústia e desespero. Todavia, quando se atinge o estágio da "aceitação da realidade", elas se dão conta de um cotidiano destruído.


Realmente, não é fácil focar o futuro quando tudo, ao seu redor, desmorona. Sim, é desta forma que vítimas de violência sexual se sentem diante do evento traumático, como se estivessem "vivendo sob escombros". Elas acreditam que os sonhos, ideais e planos traçados melimetricamente, ficaram soterrados.


Sentimentos de impotência são muitas vezes comuns e presentes, fazendo com que pensem que jamais sairão dos escombros ou que não haverá salvação para os seus tormentos. Sentem-se deprimidas e, por isso, as horas passam sem importância. A sensação de sufocação é impactante, como ter vontade de gritar e não poder, porém, quando conseguem, o grito soa pra dentro.


Quando uma mulher é vítima dessa violência, ela sente que sua força (energia física) e coragem (energia moral) começam a se esvair e sobrevém uma certeza de que não conseguirá superar o silêncio imposto pelo evento, imaginando que esse tormento nunca terá fim, o que não é verdade.


Hoje se tem conhecimento de que sensações como estas podem ser reversíveis quando se rompe a barreira do silêncio, denunciando o agressor. Existe uma gama de instituições públicas e privadas que dão amparo com eficácia às mulheres vítimas de violência sexual. Existe também o aparato legal, como a Lei Maria da Penha que dá proteção integral às mulheres vítimas de violência doméstica.


Romper o silêncio e denunciar o agressor é a palavra de ordem e faz parte de um processo de reconstrução pela qual a vítima deverá passar. "Reconstruir para recomeçar", sem dúvida, será a uma grande tarefa para todas a mulheres que sofreram violência desta natureza. Porém, estejam atentas: O processo de reconstrução começa com a denúncia do agressor.


"Enterrar os mortos" é parar de explorar essa terrível tragédia como algo sem solução, tratamento e apoio adequados. O Estado está mobilizado e atendo a esta demanda.


"Fechar os portos" é se fortalecer para uma nova vida, curando suas feridas. É manter o foco na reconstrução, o que certamente é possível e viável.


"Cuidar dos vivos" é tomar conta do presente, valorizando o que há de melhor em suas vidas: A coragem por ter denunciado o agressor.


A denúncia do agressor é muito importante, não só para a vítima, mas também para a sociedade como um todo, pois impede que se estabeleça o sentimento de impunidade.


E depois dessa difícil jornada "sob os escombros" que as mulheres vítimas dessa dolorosa violência, possam ser capazes de erguer um lindo monumento em suas almas, edificando um dos sentimentos mais nobres do ser humano: A Coragem.


Ana Sá Peixoto

quarta-feira, 30 de maio de 2012


                      "Quem dá amor não merece dor" 
Amigos, que chegue um dia em que o respeito à dignidade seja um imperativo nos lares. Pensem nisso. Ana Sá Peixoto

Imagem: Comunidade Facebook: Campanha contra a violência a mulher. https://www.facebook.com/pages/Campanha-Contra-Viol%C3%AAncia-a-Mulher/212882798778955

terça-feira, 29 de maio de 2012


      




                                     A VIOLÊNCIA SEXUAL: Os mitos e os fatos

Os meios de comunicação de massa noticiam, diariamente, a ocorrência de toda a forma de violência, como assaltos, sequestros, homicídios etc... Constatando que a vida e a liberdade (nossos maiores bens jurídicos) estão sendo violados, o que nos deixa com um profundo sentimento de insegurança generalizada.
Assistimos ao descaso do Poder Público no combate à criminalidade e para nos protegermos da violência, recorremos  muitas vezes a medidas extremadas: Ficamos reféns dos nossos lares, gradeamos nossas residências, fazemos seguros para os nossos veículos, baseando-nos sempre na idéia de que o espaço público oferece perigo às pessoas, o que não deixa de ser uma realidade. Todavia, existe uma violência sorrateira e silenciosa que deixa marcas profundas na vida de suas vítimas: A violência sexual.
A violência sexual é gênero que comporta especieis como os abusos e as agressões. Na agressão sexual, a vítima oferece resistência de modo expresso e inequívoco, já no abuso, o que se observa é uma incapacidade da vítima em oferecer resistência.
Os índices dessa violência apontam cada vez mais para o espaço privado dos lares, como sendo o local de maior incidência e que menos oferece segurança às vítimas, seguidos dos espaços públicos como as escolas e igrejas. 
Observamos que a criminalidade sexual comporta uma estereotipia bastante variada e que vem contribuindo para a distorção de uma realidade bastante dolorosa.
A ideia de que agressores sexuais são pessoas alheias ao cotidiano da vítima, já está superada. Estatísticas mostram que a maioria dos agressores sexuais participa das relações familiares e domésticas de suas vítimas, na figura do pai, da mãe, marido e companheiro. Essa realidade também se observa nas relações profissionais, na figura do chefe e nas relações de conhecimento em geral. 
Esses criminosos se utilizam de uma máscara social para esconder sua agressividade e são inteligentes, o bastante, para planejar detalhadamente o delito, escolhendo suas vítimas e enquadrando as mesmas dentro de seus padrões e necessidades. 
O que se percebe, também, é que a imagem dos criminosos sexuais veio sendo construída, ao longo dos anos, de forma prejudicial à sociedade. Hoje, sabe-se que a criminalidade sexual é conduta majoritária e que os os agressores não fazem parte de uma minoria anormal conforme preconiza, não só o senso comum, como também, o discurso jurídico-penal.
Sabe-se, ainda, que esses crimes trazem, em sua dinâmica, necessidades "pseudo-sexuais", sobretudo no delito de estupro. O Criminoso sexual não busca  sua vítima para obter satisfação sexual, mas para satisfazer seu desejo de poder e ira.  
Por outro lado, a estereotipia da vítima como pessoa frágil é, sem dúvida, a mais estigmatizante. Não podemos desconsiderar que, após um ato violento desta natureza, surjam danos psíquicos que as tornem frágeis diante de sua própria realidade, apresentando comportamento confuso e até mesmo preocupações de ordem ética e moral.
Entretanto, o pior sentimento que as vitimas de crimes sexuais carregam, é o de culpa. Este sentimento surge pelo fato de, na maioria dos casos, as vítimas demonstrarem prazer e excitação, mesmo manifestando medo, raiva ou vergonha. 
Este "prazer", que ela não pediu para ter, explica-se pelo fato de terem seus corpos tocados e erotizados pelo agressor. Em decorrência disso, sobrevém o silêncio e o segredo.
Esse segredo que as vítimas ocultam, talvez seja mais predador que a própria violência sofrida, na medida em que, entre outras consequências, contribui para a impunidade do violentador.
Os estereótipos apresentados aqui, foram sendo construídos historicamente e são considerados como herança de uma sociedade patriarcal. Os valores do patriarcalismo ainda se encontram muito arraigados na sociedade atual e isso se reflete, inclusive, no Sistema de Justiça Criminal. 
Nosso Sistema de Justiça Criminal assume uma relação de solidariedade com o agressor, quando esse é homem e culpa a vítima, quando esta é mulher. Essa prática tem sido muito observada nos Tribunais brasileiros durante os julgamentos de crimes sexuais, uma vez que estes crimes dificilmente deixam vestígios ou são testemunhados por alguém, sendo autor e vítima os únicos presentes na "arena do crime". 
Para sanar essa dificuldade probatória, os Tribunais brasileiros atribuem um valor probante às declarações das vítimas. Entretanto, esse valor perde a força quando a vítima tem a sua vida pregressa fora dos padrões da moral sexual da época e para provar a sua inocência, ela acaba sofrendo constrangimentos tão fortes quanto às sanções impostas contra o seu agressor. Essa realidade transmite à vitima uma flagrante ideia de que ela está sendo punida também ou o que é pior, que teria concorrido para o evento criminoso.
Diante de todo o exposto, penso que tratar a violência sexual contra mulheres de modo a contê-la, é começar a entender que ela faz parte de uma fatia de um universo violento que encontra na sociedade hodierna, entraves para a sua resolução.
Precisamos lançar um olhar diferenciado para a questão, pensando políticas públicas efetivas que se incorporem na agenda política do país, não como políticas de governo, mas de Estado.
Percorrer os caminhos dessa violência não se traduz apenas em percorrer os caminhos da impunidade, mas, sobretudo, percorrer caminhos de dores tão profundas que se aprisionam na alma.

Ana Sá Peixoto

segunda-feira, 28 de maio de 2012


A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.
Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos, capacidade física ou mental, sexualidade ou estilo de vida e não costuma obedecer nenhum nível social, econômico, religioso ou cultural específico, como poderiam pensar alguns.
A violência doméstica pode definir-se como um padrão de comportamento que se dá em qualquer tipo de relacionamento onde o poder e o controle são usados para submeter uma outra pessoa. É uma relação abusiva, de poder desigual, logo opressora, abrangendo não só as mulheres, mas também os homens, os idosos, as crianças que os impede de ter um bom desenvolvimento físico e mental.
vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouco autoestima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. Oagressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo. Alguns abusadores oferecem “recompensas” com certas condições para tentarem convencer o parceiro de que o abuso não voltará a acontecer. Por mais persuasivos que pareçam, a violência normalmente piora com o passar do tempo.
A violência doméstica raramente acontece uma só vez. Com o passar do tempo, o abuso físico e sexual tem tendência a aumentar em frequência e severidade.

A Lei Maria da Penha estipula alguns tipos de violência doméstica:
Violência física: é qualquer ato contra a integridade ou saúde corporal da vítima. O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física.
Violência psicológica: é qualquer ação que cause prejuízo psicológico, como humilhação, chantagem, insulto, isolamento, ridicularização. São também considerados dano emocional e controle de comportamento do outro.
Violência sexual: é aquela que força a pessoas presenciar, manter ou participar de relação sexual indesejada. Impedir o uso de método contraceptivo ou forçar a mulher a gravidez, aborto ou prostituição mediante força ou ameaça, também se enquadram neste tipo.
Violência patrimonial: São situações quando o agressor destrói bens, documentos pessoais e instrumentos de trabalho.
Violência moral: Caluniar, difamar ou cometer injúria contra a pessoa.
O mais importante a fazer é dizer a alguém e quebrar o silêncio. Para algumas vítimas a decisão de procurar ajuda é rápida e relativamente fácil de tomar. Para outras, o processo será longo e doloroso enquanto tentam que a relação resulte e a violência cesse.
A ideia de abandonar a relação agressiva pode ser tão assustadora quanto a ideia de ficar. Muitas pessoas procuram ajuda inúmeras vezes até encontrarem o apoio que necessitam e podem ainda estar em risco depois de deixarem a relação. Não receie pedir ajuda novamente.


FONTE: http://www.bloguesia.com.br/2012/03/31/quando-o-conhecido-se-torna-o-inimigo/